ABC das Conchas de Colecção - Passo a Passo. 1ª Parte

O Mundo das Conchas 

De todos os seres vivos existentes no Universo, as conchas estão certamente entre as formas vivas, mais espectaculares da natureza. A beleza e a arquitetura deslumbrante das conchas, vai para além da compreensão Humana... Não é só um conjunto de factos naturais incríveis. É algo, mais sublime e divino. Algo que nos enche de prazer, na subtileza da perfeição, do quase impossível de se ser mais perfeito... Colecciono conchas há mais de 30 anos e ainda hoje fico tão deslumbrado com beleza natural das conchas, como no início da minha colecção...

Na natureza, muitos animais apresentam formas bizarras, cores vivas, ou ornamentações variadas, cujo o propósito na maioria das vezes esta relacionado com o atractivo sexual entre indivíduos da mesma espécie ou, no caso das flores, para atrair insectos que promovem a polinização. Nas conchas, essas características fantásticas, são simplesmente gratuitas ou, pelo menos assim parece ser... essas subtilizas, parecem não se enquadrar no propósito ou objectivo, que tem nas outras espécies... A maioria dos moluscos tem uma visão muito fraca, parte deles vivem em cavernas ou em profundidades onde a luz não chega. Muitos outros vivem enterrados ou têm apenas actividade noturna, ou ainda estão completamente incrustados por vários organismos e incrustações, que envolve completamente a concha. Teoricamente, tudo o que existe, tem um propósito... a natureza não desperdiça energia na criação de subjectividades, que não tenham uma objectividade concreta. Algumas espécies de conchas, parecem desafiar totalmente essa teoria natural...    

Seja por estes ou outros factos, a pergunta que me tenho questionado desde que comecei a coleccionar conchas, é. Então por que todas essas formas e cores, nas conchas?  Por enquanto, parece que ainda ninguém tem a resposta, do porquê dessa incrível subtileza natural...                                                                                                                                                                    Enquanto a ciência não conseguir formular respostas concretas a essa e muitas outras questões. Só nos resta especular e atribuir esse facto extraordinário, a um simples capricho da natureza... as conchas, são verdadeiras esculturas naturais de uma beleza ímpar na inflorescência da viva, que sempre exerceram e vão continuar a exercer, uma grande atracção e fascínio, sobre o Homem... 

Introdução ao Tópico 

Este novo Tópico, tem como objectivo principal vir a ser apenas uma simples linha de orientação para todos aqueles que estão ou querem, iniciar uma colecção de conchas e mais alguma informação suplementar para todos os outros que gostam e se interessam por esta temática das conchas. De uma maneira objectiva e simples, vou tentar simplificar todos os Passos a Passos, para se ter uma colecção bonita e em perfeitas condições de preservação. Com mais de 30 anos a coleccionar conchas, penso que já adquiri algum conhecimento geral, para poder dar o meu contributo a esta causa...

Para ser mais fácil de seguir o Tópico, vou dividir o tema em três partes principais; Introdução à colecção das conchas - Preparação e Preservação das Conchas - Exposição, Acondicionamento e Classificação das Conchas.



Introdução ao Coleccionismo das Conchas

Coleccionar conchas, é uma temática que deve ser ponderada com responsabilidade. Quem colecciona conchas, ou faz outras colecções de animais (ex. insectos, ouriços-do-mar, peixes e outros), deve ter a consciencialização do que está a coleccionar, ser responsável e ponderado nas suas aquisições...

Zoologicamente os Moluscos, dividem-se em cinco classes principais:                                                                 

Quíton, concha de um Acanthopleura spinosa
Quíton, concha de um Acanthopleura spinosa

Gastrópodes, são os mais populares nas colecções de conchas em geral. Esse facto, deve-se porque os Gastrópodes são o grupo mais representativo, com maior número de famílias e de espécies, onde aparecem os espécimes mais espectaculares e raros.                                  Bivalves, fazem parte de um grupo de famílias também bastante representativo, mas com menor número de espécies por família. Algumas espécies de bivalves são incrivelmente espectaculares e esse facto faz com que sejam também bastante apreciados pelos coleccionadores de todo o Mundo.                                      Cefalópodes, estão representados pelos (Polvos - sem concha / Lulas Chocos - com concha interna) e os magníficos, Nautilus e Argonautas. Este grupo é menos numeroso e menos popular entre os coleccionadores.              Escafópodes, as conchas deste grupo pouco conhecido têm como característico, a concha ser em forma de dente de elefante. A maioria das espécies é pequena, os maiores podem chegar aos 15 cm de comprimento e tem um modo de vida Bentônico.                                                                                                                                                              Poliplacóforos, é também um grupo pouco conhecido pelos coleccionadores, mas muito interessante. Os moluscos, são conhecidos como quitons, possuem um conjunto de oito placas (mais raramente, sete ou nove) que cobre a parte superior do animal e que permite que este se enrole como um "tatu". Vivem agarrados ás pedras e rochas, desde a zona entre-marés, até a águas pouco profundas. Alimenta-se de algas e plantas do substrato.

Categorias:                                                                                  Conchas Marinhas / Conchas de Água Doce / Conchas Terrestres. Dentro destas três categorias, ainda se podem subdividir e tornar a colecção mais especializada. Muitos coleccionadores só se dedicam a colecionar determinadas famílias, em particular nas conchas marinhas. Também é bastante popular muitos coleccionadores, só coleccionarem conchas relativas a uma determinada área geográfica e dependendo da área geográfica, pode-se fazer uma colecção imensa... Para quem não quer coleccionar conchas apanhadas vivas, pode optar por coleccionar conchas encontradas mortas, de preferência sem o Caranguejo-ermita...                                                                          À que ter em conta que coleccionar conchas apanhadas mortas na praia, ou em mergulho, essas conchas estão quase sempre em mau estado de preservação. Em regra são conchas muito roladas e descoloradas, por esse motivo não tem grande valor para o coleccionismo nem cientifico...

Dentro da temática do coleccionismo das conchas, há várias formas de se fazer uma bonita e boa colecção, tudo depende do gosto e do interesse pessoal de cada um... Coleccionar conchas é um passatempo fantástico, no qual se pode aprender uma infinidade de coisas interessantes relacionadas com a Morfologia das Conchas, perpetuar o legado Museológico e Científico, para futuras gerações. Seja qual for o seu critério que siga para coleccionar conchas, deve seguir essa linha definida e apresentar uma colecção agradável de se ver, bem preservada e com possível interesse científico.

Malacologia - área da zoologia que se dedica ao estudo do Filo Mollusca.

Em nota especial; Como tenho descrito em vários sítios do meu site, colecciono conchas há mais de 30 anos. Quando comecei a coleccionar conchas, ainda não havia a histeria radical e quase colectiva da Preservação Ambiental, onde ninguém preserva nada, ou quase nada, mas é eticamente correcto encher o peito de palavras agridoce e lançá-las ao vento, como quem quer polinizar o universo de amor... Muito antes destes tempos modernos, onde o supostamente correcto vai embalado na "Onda" da moda e embrulhado na hipocrisia do que dá mais jeito, já eu e muitos outros coleccionadores tínhamos a consciencialização da preservação das espécies e do meio ambiente... muitos dos coleccionadores de conchas, sempre foram muito selectivos em relação à captura de espécimes vivos para as suas colecções. Como em tudo na vida, também no coleccionismo das conchas, há bons e maus coleccionadores...

A minha colecção, a minha história... 

                                          Colecções - J.P Oliveira


Preparação e Preservação das Conchas 

Indrodução:                                                                                                                                        Depois da introdução à Colecção das Conchas, vamos passar à parte técnica. Para se fazer uma boa Preparação e Preservação, é necessário ter algum conhecimento da composição química e morfológica das conchas. Pode parecer complicado, mas não é... 

Os Moluscos, constituem um grande filo de animais invertebrados, marinhos, de água doce ou terrestres. Constituídos por um corpo mole, não segmentado e dividido em três partes principais, Cabeça,e Manto. Neste filo principal de animais invertebrados aparecem os Gastrópodes e Bivalves, os mais populares. Cefalópodes, cujo o corpo mole está revestido por uma concha externa, ou por uma concha interna, no caso das Lulas e Chocos. Escafópodes, em forma de dente de elefante. Poliplacóforos, conchas segmentadas por placas. Essa estruturas (externa/interna) são constituídas basicamente por Carbonato de Cálcio e Proteína Conchiolina. O Carbonato de cálcio, é extraído directamente da água (doce ou salgada) e a proteína Conchiolina, é segregada pelo animal (vivo). Na extremidade do Pé (na maioria dos Gastrópodes marinhos, raro nos Gastrópodes terrestres), está acoplado a estrutura anatómica designada por Opérculo, que funciona como um alçapão protector, encerrando o animal dentro da concha. Mais à frente, explicarei como é importante preservar esse Opérculo, nas conchas (conchas, apanhadas vivas)...



"Anatomia de um caracol aquático masculino com uma brânquia (prosobrânquio). Note-se que muito desta descrição anatómica não se aplica a gastrópodes pertencentes a outros clades.

Amarelo claro: partes moles - Castanho: concha e opérculo  - Verde: sistema digestivo
Púrpura: brânquias - Amarelo: osfrádio - Vermelho: coração - Rosa/Violeta:  1. pé 2. gânglio cerebral 3. pneumostoma 4. alta comissura 5. osfrádio 6. brânquias 7. gânglio pleural 8. átrio do coração 9. gânglio visceral 10. ventrículo 11. pé 12. opérculo 13. cérebro 14. boca 15. tentáculo (quimiossensorial, 2 ou 4) 16. olho 17. pénis (evertido, normalmente interno) 18. anel nervoso esofágico 19. gânglio pedal 20. baixa comissura 21. vas deferens 22. cavidade palial / cavidade do manto / cavidade respiratória 23. gânglio parietal 24. ânus 25. hepatopâncreas 26. gónada 27. recto 28. nefrídeo."

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Gastropoda

Limpeza de conchas apanhadas vivas - Preparação, 1ª Parte

Como já descrevi, as conchas apanhadas vivas são as que apresentam as melhores condições de preservação e as cores mais vivas, desse modo mais beleza como espécimes de colecção. Não vou dar dicas como obter conchas vivas, por razões óbvias... cada um, é livre de fazer o que entender, desde que se respeitem as normas de preservação e as leis de cada país. Passo a parte da captura e vou apenas tentar explicar alguns dos processos de remoção do tecido animal, limpeza e preservação da concha. A limpeza das conchas, pode ser um processo algo desagradável para a maioria das pessoas. Dependendo das situações, pode ser um pouco sujo e muito mal cheiroso, mas... necessário.

Várias espécies de Conus, mergulhados numa substância ácida, diluída em água
Várias espécies de Conus, mergulhados numa substância ácida, diluída em água

Algumas espécies de conchas apanhadas vivas, têm em uma cor e brilho muito intensos (ex. género, Cypraeidae), fácil de destruir e difícil de manter... como as conchas, são basicamente constituídas por Carbonato de Cálcio, todo o que for utilizado para remover o tecido animal ou na limpeza da concha à base de substâncias ácidas, pode ser altamente destrutivo. O ácido dissolve o carbonato de cálcio e a parte brilhante constituída pela Proteína Conchiolina. Em algumas espécies de conchas mais frágeis e muito brilhantes, deve-se mesmo evitar qualquer género dessas substâncias. Nas conchas, que se utilize as substâncias ácidas (ex. Cloro, Lixívia e outros), elas devem sempre ser diluídas em água doce, consoante o grau de força ácida da substância a utilizar. Um mau passo, é uma concha perdida para sempre...

Remoção do tecido animal 

Muitas das espécies de conchas podem ser consumidas, como no caso das Ostras...
Muitas das espécies de conchas podem ser consumidas, como no caso das Ostras...

Cozer as Conchas Vivas. O processo mais utilizado e fácil de se fazer para conchas médias e pequenas, é fervê-las (cozê-las) em água numa panela por alguns minutos. A água, deve cobrir completamente as conchas. Neste processo, deve ter em atenção que as conchas devem ser mergulhadas em água à temperatura ambiente e fervidas apenas por alguns minutos, consoante o tamanho das conchas. Se as mergulhar directamente em água muito quente, é provável que ocorra um forte choque térmico e isso faça com que as conchas possam estalar ou mesmo partirem-se... depois de fervidas, deixe-as arrefecer naturalmente.                                                                        *Concluída essa etapa, com uma pinça longa ou outra qualquer ferramenta apropriada, remova todo o tecido animal e aproveite o opérculo, se as conchas o tiverem. Quando remover todo o tecido animal e se as conchas não tiverem nenhumas incrustações calcárias ou outras, lave-as bem em água corrente e deixe-as a secar naturalmente à sombra (nunca exponha as conchas, à luz do sol directa) a luz solar, destrói irremediavelmente a cor viva das conchas. Mais à frente, explicarei também, como remover as incrustações.

Extracção do tecido animal
Extracção do tecido animal


Nota: este processo de ferver (cozer) as conchas, é bastante seguro e um dos mais práticos, para se remover o tecido animal. Mas, dependendo das conchas (ex. Cypraeas, e outras conchas de casca muito fina), pode não ser a melhor prática... nada do que aqui for escrito ou noutro sítio qualquer, é para ser seguido religiosamente... qualquer coisa que se faça, deve-se seguir o princípio da razoabilidade, ponderar os efeitos e as opções...



Várias conchas num saco plástico tipo  Ziplock, prontas para serem congeladas
Várias conchas num saco plástico tipo Ziplock, prontas para serem congeladas

 Congelamento das Conchas Vivas. Processo, também muito utilizado e prático. Esse é um processo que nunca fiz, e que tenho algumas reservas em relação à sua total eficácia... o congelamento das conchas significa que elas vão ficar sujeitas a uma pressão significativa, derivado à expansão e contração molecular do gelo. O processo por mais calculado que possa ser, pessoalmente não arriscaria esta prática, em conchas frágeis, nem raras... mas, Passo a explicar como deve ser feito.

O mais prático é colocar as conchas em sacos plásticos tipo (Ziplock), com espaço suficiente para adicionar água, de modo a ficarem totalmente cobertas. Coloque os sacos no congelador por uns dias. Ao fim de alguns dias de congelação, retire os sacos e deixe descongelar completamente ao natural (não utilize micro-ondas). O processo de retirar o tecido animal, é o mesmo que está descrito*.



Enterrar as Conchas Vivas ou Mortas. Este processo (um pouco macabro e mal cheiroso...), é muito menos popular que os outros dois processos já descritos, também nunca utilizei esta técnica para remover o tecido animal. Bem feito, os resultados podem ser bastante bons. É muito utilizado, para conchas de grandes dimensões ou para limpar grandes quantidades das mesmas. O processo é muito mais lento, uma vez que conta com a ajuda dos insectos e de micro-organismos naturais, para decomporem o tecido animal. Nunca fiz, mas Passo a explicar, como deve ser feito correctamente.

Para iniciar este processo, escolha um sítio afastado. Lembre-se, do mau cheiro...        Depois de escolhido o sítio. Abra um buraco no chão, com profundidade e largura suficientes para caber todas as conchas à vontade. No fundo do buraco, deve colocar uma camada de palha, repita esse processo entre as camadas de conchas que lá depositar e uma última camada por cima. A palha, vai permitir que as conchas fiquem melhor acondicionadas e isso também vai permitir que os insectos circulem mais livremente. Para finalizar o processo em segurança, coloque uma rede metálica por cima de tudo e prenda-a o melhor possível (a rede vai evitar que algum pequeno animal, desenterre as conchas). Sele tudo, com uma camada generosa de terra fina (10 a 15 cm), não mais que isso. As conchas não devem estar a uma profundidade muito grande, porque isso vai ainda mais retardar processo de proliferação dos insectos e das bactérias. Marque o sítio com marcações que sejam facilmente reconhecidas de maneira a evitar que alguém passe acidentalmente por cima das conchas... O processo de retirar o tecido animal, é o mesmo que está descrito*


Nota: Dependendo da quantidade das conchas e do seu tamanho, este processo, pode levar algum tempo (semanas ou meses). As conchas, devem ficar com a boca viradas para cima. Isso vai facilitar o trabalho dos insectos e evitar que os Opérculos, caiam e se misturem com a terra e a palha. Também não aconselho este processo, para conchas muito delicadas ou muito raras...



Estes três processos de remoção do tecido animal aqui descritos, são os mais utilizados pelos coleccionadores de todo o Mundo. Há outras técnicas mais ou menos eficazes para o mesmo propósito, mas estas, são as mais utilizadas e práticas. Acrescento aqui ao Tópico um quarto processo, o meu. Que é bastante eficaz e prático, mas... também um pouco sujo e mal cheiroso.

Quando viajo, trago quase sempre várias conchas que apanho vivas. Raramente tenho condições e tempo para preparar essas conchas, nos locais por onde ando. O que vou fazendo, é guardar essas conchas em sacos plásticos do tipo (Ziplock). Não é uma boa prática, mas na maioria das vezes não tenho melhores soluções e por mais sacos que se enfie as conchas, o mau cheiro passa sempre... Quando chego a casa e desempacoto as conchas, já elas estão num acentuado estado de decomposição e muito, muito, mal cheirosas...                                      Como as conchas já não estão vivas, mas ainda mantém parte do tecido e quero rapidamente ver as conchas preparadas, tenho que recorrer a uma outra técnica. A imersão total, em água. Esse processo, faz com que o tecido animal entre mais rapidamente em decomposição e se solte por completo do Canal Sifonal. Não é agradável, mas é rápido e sem risco de danos nas conchas. Primeiro passo para este processo, é usar luvas, máscara e ter um estômago forte...

Como tento sempre aproveitar os Opérculos das conchas, faço uma pré-lavagem em água corrente com cuidado de modo a não perder os mesmo, principalmente se forem muito pequenos. Depois disso arranjo vários recipientes e consoante as conchas que tenha de preparar, coloco as espécies separadamente umas das outras, para evitar que os Opérculos de espécie diferentes, fiquem todos misturados... dependendo da rapidez da decomposição, vou mudando a água das conchas para não ficar podre, até que o tecido animal se consiga remover com facilidade. O processo de retirar o tecido animal, é o mesmo que está descrito*.


Nota: neste processo inevitavelmente os Opérculos, vão se soltando e dependendo da quantidade das conchas, na maioria das vezes já não consigo acertar todos nas respectivas conchas a que pertenciam... mas isso, na minha opinião é pouco ou nada relevante dependendo das espécies que se esteja a preparar, uma vez que o Opérculo, fica sempre um pouco fora da junção bocal. O principal, é estarem colocados nas respectivas espécies, a que correspondem. A excepção é para algumas espécies com Opérculo Córneo. Para esses já requer que se tenha o cuidado de não os trocar do espécime a que corresponde, uma vez que esses Opérculos, têm um encaixe próprio (ex. género Neritidae).



Limpeza de conchas apanhadas vivas - Preparação, 2ª Parte

Explicada a parte de remoção do tecido animal, agora vem a parte da remoção das incrustações duras e moles e do Perióstraco...

Incrustações duras (calcário, cracas, e outros organismos duros). O processo de limpeza dessas conchas, pode ser um pouco demorado e complicado de se fazer, dependendo das espécies que se tenham para limpar (ex. género Murex).                        Incrustações moles (restos do tecido animal, algas, esponjas, perióstraco e outros organismos moles). A limpeza dessas incrustações, é um processo muito mais fácil de se fazer. Vamos começar pela parte mais fácil... incrustações moles.

Remoção das incrustações moles, por processo químico 

Para iniciar este processo, convém utilizar uma roupa mais velha, ou um avental, luvas e óculos. O processo de remoção de organismos moles, é relativamente simples de se fazer. Dependendo das conchas e das incrustações que elas tenham ou não, convém que elas passem por esta limpeza química. Mesmo que as conchas não apresentem visualmente qualquer vestígio de incrustações ou outros organismos, o cloro ou a lixívia, vai agir como um forte bactericida e germicida que vai limpar as conchas totalmente. Principalmente as pequenas partes moles, que ficam ainda no fundo do canal sifonal e que são difíceis de remover manualmente.

Como já está descrito no artigo do Tópico, deve-se ter o máximo cuidado com todas as substâncias ácidas, a serem utilizadas na limpeza das conchas. Principalmente, nas espécies mais frágeis e conchas extremamente lisas e brilhantes (ex. Cypraeas).

Neste processo pode-se utilizar (Cloro em pó), diluído em água, ou simplesmente utilizar a vulgar (Lixívia), sem perfumes ou detergentes, e não muito forte. Eu utilizo a Lixívia, ambos tem o mesmo princípio químico (Hipoclorito de Sódio). O primeiro passo, é arranjar um recipiente de plástico (o cloro ou a lixívia, não reagem com o plástico), suficientemente espaçoso para mergulhar algumas conchas de cada vez ou individualmente.  

Limpeza química com Cloro (Hipoclorito de Sódio NaClO)
Limpeza química com Cloro (Hipoclorito de Sódio NaClO)

  Deite a água até preencher metade do recipiente e de seguida, adicione o Cloro ou a Lixívia, em pequena quantidade. Nunca deite as substâncias ácidas antes da água e nunca directamente sobre as conchas.                                                                 Com uma pinça ou com luvas, agarre as conchas, pela abertura e mergulha-as lentamente de maneira a que o líquido penetre em toda a parte interna. Se a concha ficar a boiar, significa que não está totalmente preenchida com o líquido.       Observação da reação química, sobre as conchas. Dependendo da aceleração da "fervura ácida", consegue-se ver se diluição está ou não muito forte. Vá vendo como se está a processar a dissolução dos organismos sobre as conchas e consoante o progresso, adicione mais Cloro/Lixívia para acelerar o processo, ou água para retardar. Não tente, fazer as coisas demasiado depressa...

Nota: O tempo de limpeza, vai depender do tamanho das conchas e da matéria orgânica que tiverem para ser dissolvida pela solução ácida. Quanto mais material orgânico tiverem as conchas, é natural que o processo leve mais tempo... para que o processo de limpeza fique bem feito, pode levar minutos ou horas.                                                                                                    Nas conchas mais sensíveis, conchas com o Perióstraco e os opérculos das conchas, não os deixe na solução ácida, juntamente com as outras conchas. Mergulhe-os apenas por alguns segundos e passe-os logo de seguida por água corrente. Pode repetir essa operação mais que uma vez, dependendo do resultado que queira. Quando as conchas já estiverem totalmente limpas de todo o material orgânico, pode coloca-las novamente dentro de água (só água), por mais algumas horas, para libertarem qualquer vestígio que possa haver da solução ácida. Restos da solução ácida podem permanecer dentro das conchas e prejudicar a sua preservação, a imersão em água limpa, elimina esses vestígios.                                                                                                                                            

...Perióstraco, é um fino revestimento orgânico "pele" que muitos Gastrópodes e Bivalves têm. Essa "pele" é extremamente rija e aveludada, quando o animal está vivo. Muitos dos coleccionadores actualmente deixam o perióstraco, intacto nas conchas, ou pelo menos em algumas. O perióstraco é facilmente removido pala solução ácida. Uma vez que não queira removê-lo, o único inconveniente é o facto de não se conseguir ver as cores vivas das conchas e com o tempo o perióstraco, tornar-se quebradiço. Em algumas conchas que se tenha a mais da mesma espécie, vale a pena deixar algumas com o perióstraco, por questões científicas...



Limpeza de conchas apanhadas vivas - Preparação, 3ª Parte

Numa boa parte das vezes com a remoção das incrustações moles por processo químico, também se resolve uma boa parte da remoção das incrustações duras. Em muitos dos casos, elas simplesmente se soltam da concha (calcário, cracas e outros), ou basta uma simples escovagem, com uma escova de cerdas mais duras para se resolver a questão total da limpeza. As outras incrustações que persistem teimosamente agarradas às conchas, são as que temos de remover manualmente, com alguma persistência e paciência...

Remoção das incrustações duras, por processo manual e mecânico 

Neste processo de limpeza das conchas, requer alguma técnica e destreza manual com ferramentas. Principalmente, na necessidade ou opção, de se utilizar equipamento mecânico. Em ambos os processos de limpeza, tem que se levar em conta o facto de se ter o cuidado necessário, para não danificar as conchas irremediavelmente. Qualquer ferramenta metálica, mal utilizada sobre a superfície das conchas, pode ser desastrosa...

Na maioria das vezes, estas duas ferramentas são as mais versáteis, para limpar as conchas...
Na maioria das vezes, estas duas ferramentas são as mais versáteis, para limpar as conchas...

Limpeza manual: Na limpeza manual, podem ser utilizadas várias ferramentas (ex. chaves de fendas, pequenas lâminas metálicas, agulhas de várias dimensões, escovas com cerdas duras e outros). Quase tudo pode ser convertido, para raspar e remover cuidadosamente as incrustações duras, nas conchas. Utilize as ferramentas que achar mais apropriadas, para remover com cuidado todas as incrustações que sejam possíveis de serem retiradas. Dessa forma, pode desfrutar da total beleza das conchas e fazer uma melhor preservação das mesmas. Não vá para além, do que for racionalmente possível de se fazer. Mais vale uma concha meio limpa de incrustações, que uma concha totalmente limpa de incrustações, mas irremediavelmente estragada...

Mini-Berbequim - c/extensão flexível. Pontas finas de esmeril, para pedra
Mini-Berbequim - c/extensão flexível. Pontas finas de esmeril, para pedra

Limpeza mecânica: Limpeza mecânica, parece algo, que soa mais "profissional"... Pessoalmente, não utilizo esse processo na limpeza das minhas conchas. Não pelo facto de não o saber fazer, ou por não ter ferramentas mecânicas para esse fim, mas sim, pelo facto de não achar necessário utilizar essas ferramentas, nas conchas. A não ser, excepcionalmente em casos muito excepcionais... (Ex. conchas com muita formação de calcário duro, ou muita quantidade de conchas para limpar...).                                                                                                                        Para se fazer um trabalho de limpeza nas conchas mecânicamente, com alguma precisão e segurança, pode-se utilizar a ferramenta mais popular e barata, Mini-Berbequim - c/extensão flexível. A extensão flexível acoplada ao berbequim, vai permitir uma maior precisão e manobrabilidade no trabalho. Para limpar as incrustações, utilize pontas finas de esmeril para pedra.

Uma ferramenta mecânica mais especializada que pode fazer um trabalho com muito mais precisão e rapidez, são os Micro-Martelos Pneumáticos, também conhecidos por (PEN). Esta tipologia de ferramentas funciona com ar comprimido, em regra são mais complexas de se trabalhar. O preço para estas ferramentas, pode ser muitas vezes mais caro do que os vulgares Mini-Berbequim... Pessoalmente, só trabalho com este género de ferramentas, para limpar fósseis.

Atenção; algumas incrustações, são praticamente impossíveis de serem removidas (ex. micro estruturas tubulares de vermes e outros). Geralmente essas incrustações são parasitárias, estão de tal forma agregadas à concha, que são impossíveis de se removerem sem danificar a mesma...                                                                                                                                                      Seja no processo manual, ou mecânico, à que ter o cuidado para não se riscar a superfície sensível de algumas espécies de conchas, ou partir partes mais delicadas, de outras espécies...

Nota: Depois da remoção das incrustações duras possíveis de serem removidas, geralmente ficam restos de micro algas e outros organismos, visíveis e que também devem ser removidos... Para proceder a esse processo, deve seguir novamente os passos da limpeza química (se for necessário). Desta vez o tempo de imersão das conchas deve ser menor. Na maioria dos casos, basta mergulhar as conchas por breves segundos ou minutos e voltar a passá-las novamente por água corrente.



Preservação das Conchas 

Independentemente da tipologia da colecção que se tenha ou queira vir a fazer, a preservação das conchas é uma regra básica e geral do coleccionismo. Mesmo, que só se tenha conchas compradas a vendedores especializados...                                          Para se ter e manter uma colecção bem preservada, ela deve ser alvo constante da atenção do coleccionador. Dependendo dos casos, a preservação deve ser feita com alguma regularidade. Isso vai aumentar a beleza, qualidade e a longevidade das conchas. Para se fazer uma grande e boa colecção de conchas, em regra requer muito trabalho e investimento financeiro. No entanto, é muito fácil perder todo esse trabalho e investimento, por negligência ou falta de conhecimento...

Como preservar as conchas                                                                                                                                                            Concluído todo o processo da preparação das conchas pela ordem já descrita, segue-se então a parte da preservação. Depois das conchas serem sujeitas a todo o processo de limpeza, é natural que elas fiquem desidratadas, que percam o brilho natural e fiquem com um aspecto baço e pouco atractivo visualmente. Para voltarem a ter o seu aspecto resplendoroso natural, é necessário hidratá-las e até dar algum polimento. O polimento pode ser um processo necessário, principalmente em algumas espécies, ou em conchas apanhadas mortas...

Materiais utilizados nesta etapa de hidratação: óleo mineral e um pincel. O óleo deve ser mineral de boa qualidade, (100% natural, sem adições químicas extras) não utilize, óleo vegetal. Isso, é muito importante...

Parafina líquida. Subproduto líquido da destilação de petróleo
Parafina líquida. Subproduto líquido da destilação de petróleo

O método de aplicação é simples: A aplicação faz-se com um pincel macio de boa qualidade e de preferência redondo. Para ser mais fácil fazer todo o processo, deite um pouco do óleo num pequeno recipiente largo, desse modo é mais fácil introduzir a ponta do pincel. Não ensope muito o pincel com óleo. A camada de óleo deve ser aplicada sobre as conchas de forma uniforme, em pouca quantidade. O objectivo é hidratar as conchas e não ensopá-las em óleo... Nunca deve mergulhar as conchas no óleo. O excesso de óleo nas conchas, pode ser absorvido com papel macio e absorvente.                                            Concluído o processo, deixe as conchas secar ao ar, sobre um pano ou papel, à sombra e sem estar sujeitas ao pó. Enquanto as conchas estiverem húmidas do óleo, qualquer poeira vai-se aderir a elas e isso, pode vir a ser um inconveniente e um grande problema...                                                    

Nota: A aplicação do óleo, não é recomendável em conchas que possuem a superfície muito esmaltada, como no caso das Cypraeas ou das Olivas e outras espécies similares. A superfície dessas conchas muito esmaltada, não permite a absorção eficaz do óleo. A melhor forma de retirar as manchas causadas pela lavagem e repor o brilho natural, pode ser simplesmente polir manualmente as conchas, com um pano macio e que não liberte pelos. Também se pode aplicar uma camada de silicone líquido, para criar uma película protectora na concha (nunca fiz este processo...). No caso de alguns espécimes estarem em mau estado de preservação, elas podem ser polidas com Parafina sólida.

Perióstraco tratado com glicerina, mantêm a sua cor e textura macia.
Perióstraco tratado com glicerina, mantêm a sua cor e textura macia.

Preservação do Perióstraco: Como já está descrito aqui no tópico, ele pode ser mantido e preservado nas conchas. Em algumas espécies, é bastante interessante e bonito de se preservar o perióstraco...                                                                                                            Para preservar o perióstraco, deve-se fazer uma mistura de Glicerina, a 10% de Álcool. A aplicação dessa mistura sobre o perióstraco, deve ser feita com um pincel macio e aplicada de forma uniforme. O processo de preservação do perióstraco é mais eficaz, se ele estiver fresco (conchas apanhadas vivas), ou for humedecido com água, previamente. O processo de secagem é o mesmo, que está acima descrito.

Polimento com Parafina sólida: O processo de polimento das conchas com parafina, não é um método muito usado pelos coleccionadores na recuperação das suas conchas. Ainda que este processo de polimento, possa resolver algumas das particularidades visíveis menos boas nas conchas. Particularmente, em conchas que foram afectadas pela Eflorescência Salina, designada pela doença Mal de Byne. Esta doença terrível que afecta as conchas, pode arruinar completamente uma colecção. A doença, manifesta-se basicamente com o aspecto de pequenas corrosões circulares cristalizadas, ou na aparência de uma camada fina a mofo. Em pouco tempo as conchas infectadas, ficam com graves cicatrizes na superfície exterior, principalmente em algumas espécies, Cypraeas, Olivas e outras espécies similares muito esmaltadas. Para minimizar este e outros problemas nas conchas, o polimento com parafina, pode ser parte da solução...

Disco de feltro impregnado com parafina para "polimento" da concha.
Disco de feltro impregnado com parafina para "polimento" da concha.

O método de aplicação: Para fazer o polimento com a parafina em conchas relativamente pequenas e médias, de uma maneira simples e rápida, pode utilizar um pequeno disco de feltro, num mini-berbequim. Antes de aplicar a parafina nas conchas, passe um pouco de óleo mineral, nas mesmas. Com rotação média do mini-berbequim, pressione o disco de feltro contra uma barra sólida da parafina e depois aplique directamente na concha, em movimentos suaves e transversais. É provável que este processo tenha de ser repetido várias vezes, dependendo do resultado que se pretenda e possível de se obter... Para finalizar, utilize um pano limpo e seco para retirar qualquer excesso de parafina.         



...Finalmente, a colocação dos Opérculos

Para finalizar o processo da preparação e preservação das conchas, fica só por concluir, a colocação dos Opérculos.                  Alguns coleccionadores, tem a tendência a menosprezar o facto da importância de se preservar ou não, os opérculos... Pode-se inicialmente, pensar que não tem qualquer relevância em serem preservados e recolocados nas conchas... mas, tem. Mais do que ficar estético nas conchas, eles são uma parte importante da concha. Muitas vezes, eles ajudam a determina a família, o género e até a espécie... cientificamente, é muito interessante a sua preservação.

A - Preenchimento com algodão. B - Cola sobre o algodão. C - Colagem do opérculo. D - Concha totalmente preparada, para ser adicionada à colecção.
A - Preenchimento com algodão. B - Cola sobre o algodão. C - Colagem do opérculo. D - Concha totalmente preparada, para ser adicionada à colecção.

O processo da colocação dos opérculos, é simples. Mas, não deve ser feita de qualquer maneira... os opérculos, devem ser colocados na posição correcta. Na altura em que se remove o tecido animal da concha, deve-se observar a sua posição original e voltar recoloca-los nessa mesma posição. Caso já não consiga saber a sua posição inicial, tente pesquisar e ver em fotos relacionadas com essa espécie...                                                                          

O processo e materiais utilizados: Algodão branco, cola e uma pinça longa. A cola, não deve ser muito forte. Se a cola for muito forte e houver engano na colagem de algum opérculo na posição correcta, isso pode vir a ser um problema para os descolar do algodão... Pessoalmente, utilizo a vulgar cola para papel (tipo, UHU - transparente). Também pode utilizar, a cola branca.  Dependendo do tamanho e da abertura da concha, faça uma bola de algodão de tamanho suficiente para preencher a totalidade da abertura. Dependendo do tamanho e do peso do opérculo, deve introduzir mais algodão, no interior da concha. De seguida, aplique uma pequena quantidade de cola no algodão (só, no algodão). Com uma pinça, posicione e pressione, o opérculo na posição correcta. Deixe a cola secar e passe um pouco de óleo mineral, no opérculo.

Nota: Não cole o algodão nem o opérculo, à concha. Durante a limpeza das conchas, observe a posição em que se encontram os opérculos. Pode registar essa posição, com fotos...

Exposição, Acondicionamento e Classificação das Conchas 

Exposição visualmente muito agradável. Conchas bem acondicionadas...
Exposição visualmente muito agradável. Conchas bem acondicionadas...

Nesta terceira e última parte do tópico, vou abordar o facto da importância da exposição e acondicionamento das conchas. Por muito boa que seja a preparação e preservação inicial das conchas, isso por si só não vai garantir que qualquer colecção se mantenha em boas condições, por muito tempo. Muitas conchas são extremamente frágeis e são facilmente atacadas por vários problemas. Espécies com coloração muito intensa, podem perder rapidamente a intensidade da coloração, quando sujeitas à luz e desidratação. Também é muito frequente algumas espécies perderem o seu brilho natural. Estes factos que mencionem e outros, podem destruir completamente uma colecção... 

Péssima exposição. Acondicionamento das conchas, ainda pior...
Péssima exposição. Acondicionamento das conchas, ainda pior...


A única forma de garantir uma saudável longevidade da sua colecção, é fazer um bom acondicionamento das conchas. Esse é o factor mais importante para manter qualquer colecção, em boas condições. Expor as conchas de uma maneira inadequada, vai inevitavelmente contribuir para a sua rápida degradação. Na minha modesta opinião, uma bonita e boa colecção, é mais que ter umas vitrinas cheias de conchas amontadas para os amigos verem...

Se a forma como se expõe ou se acondiciona as conchas, vai ser um factor determinante para se ter ou não, uma extraordinária colecção de conchas... A classificação é também um factor indispensável, de qualquer colecção. A classificação é o "ID", de cada espécime que tiver, na sua colecção. Cada espécime, deve ter uma etiqueta com sua identificação própria. Sem a classificação individual de cada espécime, (origem, data, espécieoutros dados) pouco ou nada vale uma colecção, por mais bonita que ela seja...

Exposição das conchas em vitrinas: 

Vitrina em vidro, com luz incorporada. Vitrina em madeira lacada, com portas em vidro.
Vitrina em vidro, com luz incorporada. Vitrina em madeira lacada, com portas em vidro.

As vitrinas em vidro, podem ser uma boa opção para expor as conchas de médias e grandes dimensões. O vidro não liberta substâncias químicas (vapores ácidos), esse é um factor bastante positivo para a preservação permanente das conchas. O lado menos bom, é o facto do vidro não ter a capacidade de absorver a humidade e isso já pode ser um problema bastante grave... Outro dos problemas das conchas ficarem expostas em vitrinas de vidro por muito tempo, é o facto delas ficarem mais expostas à luz excessivamente envolvente, isso vai contribuir para uma acentuada e mais rápida descoloração das conchas, em particular de espécies mais sensíveis.                                                                                                                          As vitrinas que são composta por vários materiais e dependendo dos materiais usados no seu fabrico, convém levar em conta o facto de serem ou não a melhor opção para se expor as conchas, em segurança. Principalmente nas vitrinas, que são parcialmente composta por madeira. A maioria das madeiras utilizadas na fabricação desses moveis para exposição de objectos, tem quase sempre um grau de acidez pouco recomendável, para as conchas... Como já descrevi mais acima no tópico, tudo o que for ácido, vai inevitavelmente atacar o carbonato de cálcio das conchas. Dependendo das madeiras e da forma como estão tratadas, elas continuam sempre a libertar vapores ácidos. Se adicionar-mos aos vapores ácidos, a humidade e possivelmente o pó, esses factores todos juntos vão transformar-se num"cocktail" desastroso para a preservação das conchas...

Acondicionamento das conchas em moveis com gavetas:

O acondicionamento das conchas em moveis com gavetas, é na minha opinião, a melhor opção para guardar e ter organizada qualquer colecção deste género. Não só pelo facto se conseguir guardar mais conchas num espaço menor, como elas também ficam mais bem protegidas da luz e de outros factores negativos à sua preservação. As gavetas devem ter boas dimensões e com diversas alturas, para se poder organizar as conchas por vários tamanhos. Como já descrevi sobre a composição dos materiais utilizados no fabrico das vitrinas, nos móveis com gavetas, também deve-se seguir o mesmo principio, na sua escolha... Esse, será sempre um dos passos mais importantes a seguir-se. Nem sempre é fácil decidir o que comprar, ou não comprar. O que se pode ou não reaproveitar, do que já se possa ter em casa... seja qual for o critério que se siga, deve-se tentar achar a forma mais equilibrada possível, para se preservar as conchas a longo prazo...

Uma das muitas gavetas da minha colecção, com conchas do género cones, em caixas plásticas.
Uma das muitas gavetas da minha colecção, com conchas do género cones, em caixas plásticas.

Escolhidos os móveis ou as vitrinas para se acondicionar a colecção, pode-se ainda guardar as conchas em caixas plásticas ou acrílicas, individualmente ou vários exemplares de pequenas dimensões, nas mesmas caixas. Dessa forma a colecção fica ainda mais apelativa, as conchas mais bem protegidas, o manuseamento da colecção e a classificação faz-se também com mais facilidade. Uma outra sugestão ainda mais simples e económica, pode-se fazer a mesma coisa colocando as conchas e as etiquetas da classificação, dentro de pequenos sacos plásticos transparentes do tipo Ziplock.                    Dependendo das soluções que se quiser optar ou não, estas são apenas mais duas boas sugestões. Sugestões essas, que podem fazer toda a diferença de se ter ou não, uma maior longevidade de preservação nas conchas...                                                                 

Imagem de uma colecção museológica.
Imagem de uma colecção museológica.

Nota: Dificilmente existem cenários 100% seguros e ideais para expor e acondicionar as conchas em total segurança. Dependendo das conchas e da colecção que se tenha, pode-se prevenir ou minimizar algumas situações, mais ou menos complicadas que eventualmente possam vir a surgir...                                                                                      Para os coleccionadores que tenham um orçamento bastante generoso para gastar com a sua colecção e estejam dispostos a pagar para controlar todos esses factores adversos que descrevi. Existem actualmente sistemas integrados de climatização totalmente controlada. Vitrinas e moveis compostos por materiais próprios, para expor e guardar as colecções de conchas e outras similares, em perfeitas condições. Os mais modernos e ricos Museus do Mundo, já possuem esses sistemas e equipamentos próprios para albergar as colecções em condições ideais à preservação permanente. Infelizmente, todas essas coisas boas não são financeiramente suportáveis, para a maioria dos coleccionadores...  

Exemplos do que pode fazer com um orçamento pequeno, como o meu... Evite a luz solar directa, nas conchas. No caso da humidade, ter um desumidificador. Evite ter vitrinas ou moveis, sem portas. Tenha atenção, à composição das vitrinas ou moveis. Não coloque as conchas muito juntas, ou amontoadas umas nas outras. Mantenha as conchas individualmente dentro de caixas plásticas, ou sacos plásticos tipo Ziplock.                                                O mais importante; observe regularmente o estado das suas conchas, dessa forma pode detectar os problemas logo no inicio. Se tiver em conta este e outros factores que descrevi, vai com certeza minimizar os riscos de vir a ter problemas graves, nas suas conchas... 



Classificação das Conchas

Compendium de classificação.
Compendium de classificação.

Para se poder designar de colecção, o que quer que se coleccione, tem que haver um certa determinação na ordem e na informação. Uma colecção, não é um amontoado de "coisas", aleatoriamente... Coleccionar-se o quer que seja, requer alguma estratégica organizativa pessoal e um conjunto de várias informações indispensáveis à informação de cada item. Neste patamar do coleccionismo, as conchas também não são excepção à regra da classificação...

A classificação pode ser feita de um modo simples, ou de uma forma mais detalhada (Identificação + Registo). Dependendo da forma como se vai adquirindo as conchas, a informação também deve ser proposicional... ou seja, a informação adicionada a uma concha comprada a um vendedor, não deve ser a mesma informação adicionada a uma concha apanhada, por nós. Nessas, podemos adicionar um conjunto de outras informações extras, que podem até ser de carisma mais cientifico...

Identificação

Na maioria dos casos, as conchas compradas a comerciantes ou adquiridas através de trocas com outros coleccionadores, já vem com as respectivas etiquetas de identificação relacionadas a cada espécime e nesses pouco ou nada, já temos acrescentar... No registo dessas etiquetas, esta apenas uma reduzida quantidade de informações para se poder fazer uma rápida identificação dos espécimes. Como o género e nome cientifico de cada espécie, autor da descoberta da espécie, localização geográfica e local, profundidade a que foi apanhada e pouco mais.                                                                                

Exemplo de uma etiqueta: No cabeçalho ou no rodapé, geralmente coloca-se o nome do coleccionador: Colecção J.P. Oliveira. Depois, segue-se esta ordem: 1ª Espécie: Lambis lambis - 2ª Autor: Linnaeus, 1758 - 3º Local: Filipinas. Palawan, El Nido - 4ª Obs: Apanhada a 2m profundidade (facultativo, dependendo da informação) - 5ª Data: Março de 2007

Nota: Estes cinco pontos, são os básicos na informação disponível para cada concha (ID). As etiquetas devem ser de pequenas dimensões, para se poder adiciona-las juntamente com a respectiva concha.

Registo

O registo é um conjunto mais alargado de informações sobre um determinado espécime. Geralmente é composto por um número de registo sequencial (001) ou código(Cy.01), onde consta os seguintes dados; nome da família - género do espécime - nome específico da espécie - autor da descoberta da espécie - local da colecta - data da colecta - profundidade ou altitude - quem colectou o/s espécime/s - tamanho do espécime - condição geral do espécime e informações sobre a ecologia entre outros. Essas informações podem ser devidamente registadas num livro de registos, ou numa etiqueta onde caiba essas informações, facilmente legíveis. Actualmente também se processa essas informações, em formato electrónico (Ex. Microsoft Access), como banco de dados digital.

Nota: O registo mais detalhado da informação, só faz sentido para conchas colectadas por nós, ou fornecidas por vendedores confiáveis... muitos vendedores, fornecem informações erradas relacionadas com algumas conchas que vendem. Umas vezes pelo facto deles próprios também serem induzidos em erro por várias razões, ou propositadamente... infelizmente no mercado das conchas, nem todos os vendedores são honestos, nas suas vendas...                                                                                            Observação; Se por algum motivo achar que a informação que dispõe não é a correta, mais vale não adiciona-la... não vale a pena estar a adicionar informação, que não seja fidedigna. Um registo bem feito e de forma correta, pode ser uma ferramenta de grande utilidade cientifica. De forma incorrecta, não serve para nada...                                                     

Turbo mamoratus                                                      Frutos do mar de Okinawa - Japão. Comida exótica de luxo, japonesa. Pessoalmente dispensava a carne, só queria estas belas conchas com o opérculo...

Video da YouTube Aden 小吃 

Se o tópico, foi útil e gostou. Siga a segunda parte...  

Na segunda parte do tópico, vou abordar mais outros três temas relacionados com a coleccionismo das conchas: Compra e troca de conchas - Qualidade e doenças das conchas - Falsificação das conchas

ABC das Conchas de Colecção - Passo a Passo. 2ª Parte