ABC das Conchas de Colecção - Passo a Passo


Conchas 

De todos os seres vivos existentes no Universo, as conchas estão certamente entre as formas vivas, mais espectaculares da natureza. A sua arquitetura deslumbrante, é algo que vai para além da compreensão Humana... Não é só simples beleza natural. É algo mais divino, algo que nos enche de prazer de se ver na subtileza da perfeição do quase impossível de se ser mais perfeito...                                                                        Colecciono conchas há mais de 30 anos e ainda hoje fico tão deslumbrado com beleza natural das conchas, como no início da minha colecção... 

Introdução ao Tópico 

Este novo Tópico, tem como objectivo principal vir a ser apenas uma simples linha de orientação para todos aqueles que estão ou querem, iniciar uma colecção de conchas e mais alguma informação suplementar para todos os outros que gostam e se interessam por esta temática das conchas. Numa maneira objectiva e simples, vou tentar simplificar todos os Passos a Passos, para se ter uma colecção bonita e em perfeitas condições de preservação. Com mais de 30 anos a coleccionar conchas, penso que já adquiri algum conhecimento geral, para poder dar o meu contributo a esta causa...

Para ser mais fácil de seguir o Tópico, vou dividir o tema em três partes principais; Introdução à colecção das conchas - Preparação e Preservação das Conchas - Exposição e Acondicionamento das Conchas.

Introdução à Colecção de Conchas

Coleccionar conchas, é uma temática que deve ser ponderada com responsabilidade. Quem colecciona conchas, ou faz outras colecções de animais (ex. insectos, ouriços-do-mar, peixes e outros), deve ter a consciencialização do que está a coleccionar, ser responsável e ponderado nas suas aquisições...



Coleccionismo das Conchas

Gastrópodes, são os mais populares e representativos nas colecções de conchas em geral. Esse facto, deve-se porque os Gastrópodes são o grupo mais representativo, com maior número de famílias e de espécies, onde aparecem os espécimes mais espectaculares e raros.                                                                Bivalves, fazem parte de um grupo de famílias também bastante representativo, mas com menor número de espécies por família. Algumas espécies de bivalves são incrivelmente espectaculares e esse facto faz com que sejam também bastante apreciados pelos coleccionadores de todo o Mundo.                  Cefalópodes, estão representados pelos (Polvos - sem concha / Lulas Chocos - com concha interna) e os magníficos, Nautilus e Argonautas. Este grupo é menos numeroso e menos popular entre os coleccionadores.                                                                                                                                                

Categorias:  Conchas Terrestres Conchas de Água Doce / Conchas Marinhas.                                              Dentro destas três categorias, ainda se podem subdividir e tornar a colecção mais especializada. Muitos coleccionadores só se dedicam a colecionar determinadas famílias, em particular nas conchas marinhas. Também é bastante popular muitos coleccionadores, só coleccionarem conchas relativas a uma determinada área geográfica e dependendo da área geográfica, pode-se fazer uma colecção imensa...      Para quem não quer coleccionar conchas apanhadas vivas, pode optar por coleccionar conchas encontradas mortas, de preferência sem Caranguejo-ermita... À que ter em conta que coleccionar conchas apanhadas mortas na praia, ou no mergulho, essas conchas estão quase sempre em mau estado de preservação. Em regra são conchas muito roladas e descoloradas, por esse motivo não tem grande valor para o coleccionismo nem cientifico... 

Dentro da temática do coleccionismo das conchas, há várias formas de se fazer uma bonita e boa colecção, tudo depende do gosto e do interesse pessoal de cada um... Coleccionar conchas é um passatempo fantástico, no qual se pode aprender uma infinidade de coisas interessantes relacionadas com a Morfologia das Conchas, perpetuar o legado Museológico e Científico, para futuras gerações. Seja qual for o seu critério que siga para coleccionar conchas, deve seguir essa linha definida e apresentar uma colecção agradável de se ver, bem preservada e com possível interesse científico. 

Malacologia - área da zoologia que se dedica ao estudo do Filo Mollusca.

Em nota especial; Como tenho descrito em vários sítios do meu site, colecciono conchas há mais de 30 anos. Quando comecei a coleccionar conchas, ainda não havia a histeria radical e quase colectiva da Preservação Ambiental, onde ninguém preserva nada, ou quase nada, mas é eticamente correcto encher o peito de palavras agridoce e lançá-las ao vento, como quem quer polinizar o universo de amor... Muito antes destes tempos modernos, onde o supostamente correcto vai embalado na "Onda" da moda e embrulhado na hipocrisia do que dá mais jeito, já eu e muitos outros coleccionadores tínhamos a consciencialização da preservação das espécies e do meio ambiente... muitos dos coleccionadores de conchas, sempre foram muito selectivos em relação à captura de espécimes vivos para as suas colecções. Como em tudo na vida, também no coleccionismo das conchas, há bons e maus coleccionadores...

A minha colecção, a minha história... 

                                          Colecções - J.P Oliveira


Preparação e Preservação das Conchas 

Indrodução;

Depois da introdução à Colecção das Conchas, vamos passar à parte técnica. Para se fazer uma boa Preparação e Preservação, é necessário ter algum conhecimento da composição química e morfológica das conchas. Pode parecer complicado, mas não é...

Os Moluscos, constituem um grande filo de animais invertebrados, marinhos, de água doce ou terrestres. Constituídos por um corpo mole, não segmentado e dividido em três partes principais (Cabeça, Pé e Manto). Neste filo de animais invertebrados aparecem os Gastrópodes, Bivalves e os Cefalópodes, cujo o corpo mole está revestido por uma concha externa, ou por uma concha interna, no caso das Lulas e Chocos. Essa estrutura (externa/interna) é constituída basicamente por Carbonato de Cálcio e Proteína Conchiolina. O Carbonato de cálcio, é extraído directamente da água (doce ou salgada) e a proteína Conchiolina, é segregada pelo animal (vivo). Na extremidade do Pé (na maioria dos Gastrópodes marinhos, raro nos Gastrópodes terrestres), está acoplado a estrutura anatómica designada por Opérculo, que funciona como um alçapão protector, encerrando o animal dentro da concha. Mais à frente, explicarei como é importante preservar esse Opérculo, nas conchas (conchas, apanhadas vivas).



"Anatomia de um caracol aquático masculino com uma brânquia (prosobrânquio). Note-se que muito desta descrição anatómica não se aplica a gastrópodes pertencentes a outros clades.

Amarelo claro: partes moles - Castanho: concha e opérculo  - Verde: sistema digestivo
Púrpura: brânquias - Amarelo: osfrádio - Vermelho: coração - Rosa/Violeta:  1. pé 2. gânglio cerebral 3. pneumostoma 4. alta comissura 5. osfrádio 6. brânquias 7. gânglio pleural 8. átrio do coração 9. gânglio visceral 10. ventrículo 11. pé 12. opérculo 13. cérebro 14. boca 15. tentáculo (quimiossensorial, 2 ou 4) 16. olho 17. pénis (evertido, normalmente interno) 18. anel nervoso esofágico 19. gânglio pedal 20. baixa comissura 21. vas deferens 22. cavidade palial / cavidade do manto / cavidade respiratória 23. gânglio parietal 24. ânus 25. hepatopâncreas 26. gónada 27. recto 28. nefrídeo."

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Gastropoda

Limpeza de conchas apanhadas vivas - Preparação, 1ª Parte

Como já descrevi, as conchas apanhadas vivas são as que apresentam as melhores condições de preservação e as cores mais vivas, desse modo mais beleza como espécimes de colecção. Não vou dar dicas como obter conchas vivas, por razões óbvias... cada um, é livre de fazer o que entender, desde que se respeitem as normas de preservação e as leis de cada país. Passo a parte da captura e vou apenas tentar explicar alguns dos processos de remoção do tecido animal, limpeza e preservação da concha. A limpeza das conchas, pode ser um processo algo desagradável para a maioria das pessoas. Dependendo das situações, pode ser um pouco sujo e muito mal cheiroso, mas... necessário.

Várias espécies de Conus, mergulhados numa substancia ácida, diluída em água
Várias espécies de Conus, mergulhados numa substancia ácida, diluída em água

Algumas espécies de conchas apanhadas vivas, têm em uma cor e brilho muito intensos (ex. género, Cypraeidae), fácil de destruir e difícil de manter... como as conchas, são basicamente constituídas por Carbonato de Cálcio, todo o que for utilizado para remover o tecido animal ou na limpeza da concha à base de substâncias ácidas, pode ser altamente destrutivo. O ácido dissolve o Carbonato de Cálcio e a parte brilhante constituída pela Proteína Conchiolina. Em algumas espécies de conchas mais frágeis, deve-se mesmo evitar qualquer género dessas substâncias. A serem utilizadas substâncias ácidas (ex. Cloro, Lixívia e outros), em espécies menos frágeis, devem ser sempre diluídas em água doce, consoante o grau de força ácida do líquido a utilizar. Um mau passo, é uma concha perdida para sempre...

 Remoção do tecido animal 

Muitas das espécies de conchas podem ser consumidas, como no caso das Ostras...
Muitas das espécies de conchas podem ser consumidas, como no caso das Ostras...

Cozer as Conchas Vivas. O processo mais utilizado e fácil de se fazer para conchas médias e pequenas, é fervê-las (cozê-las) em água numa panela por alguns minutos. A água, deve cobrir completamente as conchas. Neste processo, deve ter em atenção que as conchas devem ser mergulhadas em água à temperatura ambiente e fervidas apenas por alguns minutos, consoante o tamanho das conchas. Se as mergulhar directamente em água muito quente, é provável que ocorra um forte choque térmico e isso faça com que as conchas possam estalar ou mesmo partirem-se... depois de fervidas, deixe-as arrefecer naturalmente.                                                                                                          *Concluída essa etapa, com uma pinça longa ou outra qualquer ferramenta apropriada, remova todo o tecido animal e aproveite o opérculo, se as conchas o tiverem. Quando remover todo o tecido animal, se as conchas não tiverem nenhumas incrustações calcárias ou outras, lave-as bem em água corrente e deixe-as a secar naturalmente à sombra (nunca exponha as conchas, à luz do sol directa) a luz solar, destrói irremediavelmente a cor viva das conchas. Mais à frente, explicarei também, como remover as incrustações.

Extracção do tecido animal
Extracção do tecido animal


Nota: este processo de ferver (cozer) as conchas, é bastante seguro e um dos mais práticos, para se remover o tecido animal. Mas, dependendo das conchas (ex. Cypraeas, e outras conchas de casca muito fina), pode não ser a melhor prática... nada do que aqui for escrito ou noutro sítio qualquer, é para ser seguido religiosamente... qualquer coisa que se faça, deve-se seguir o princípio da razoabilidade, ponderar os efeitos e as opções...



Várias conchas num saco plástico tipo  Ziplock, prontas para serem congeladas
Várias conchas num saco plástico tipo Ziplock, prontas para serem congeladas

 Congelamento das Conchas Vivas. Processo, também muito utilizado e prático. Esse é um processo que nunca fiz, e que tenho algumas reservas em relação à sua total eficácia... o congelamento das conchas significa que elas vão ficar sujeitas a uma pressão significativa, derivado à expansão e contração molecular do gelo. O processo por mais calculado que possa ser, pessoalmente não arriscaria esta prática, em conchas frágeis, nem raras... mas, Passo a explicar como deve ser feito.

O mais prático é colocar as conchas em sacos plásticos tipo (Ziplock), com espaço suficiente para adicionar água, de modo a ficarem totalmente cobertas. Coloque os sacos no congelador por uns dias. Ao fim de alguns dias de congelação, retire os sacos e deixe descongelar completamente ao natural (não utilize micro-ondas). O processo de retirar o tecido animal, é o mesmo que está descrito*.



Enterrar as Conchas Vivas ou Mortas. Este processo (um pouco macabro e mal cheiroso...), é muito menos popular que os outros dois processos já descritos, também nunca utilizei esta técnica para remover o tecido animal. Bem feito, os resultados podem ser bastante bons. É muito utilizado, para conchas de grandes dimensões ou para limpar grandes quantidades das mesmas. O processo é muito mais lento, uma vez que conta com a ajuda dos insectos e de micro-organismos naturais, para decomporem o tecido animal. Nunca fiz, mas Passo a explicar, como deve ser feito correctamente.

Para iniciar este processo, escolha um sítio afastado. Lembre-se, do mau cheiro...        Depois de escolhido o sítio. Abra um buraco no chão, com profundidade e largura suficientes para caber todas as conchas à vontade. No fundo do buraco, deve colocar uma camada de palha, repita esse processo entre as camadas de conchas que lá depositar e uma última camada por cima. A palha, vai permitir que as conchas fiquem melhor acondicionadas e isso também vai permitir que os insectos circulem mais livremente. Para finalizar o processo em segurança, coloque uma rede metálica por cima de tudo e prenda-a o melhor possível (a rede vai evitar que algum pequeno animal, desenterre as conchas). Sele tudo, com uma camada generosa de terra fina (10 a 15 cm), não mais que isso. As conchas não devem estar a uma profundidade muito grande, porque isso vai ainda mais retardar processo de proliferação dos insectos e das bactérias. Marque o sítio com marcações que sejam facilmente reconhecidas de maneira a evitar que alguém passe acidentalmente por cima das conchas... O processo de retirar o tecido animal, é o mesmo que está descrito*


Nota: Dependendo da quantidade das conchas e do seu tamanho, este processo, pode levar algum tempo (semanas ou meses). As conchas, devem ficar com a boca viradas para cima. Isso vai facilitar o trabalho dos insectos e evitar que os Opérculos, caiam e se misturem com a terra e a palha. Também não aconselho este processo, para conchas muito delicadas ou muito raras...



Estes três processos de remoção do tecido animal aqui descritos, são os mais utilizados pelos coleccionadores de todo o Mundo. Há outras técnicas mais ou menos eficazes para o mesmo propósito, mas estas, são as mais utilizadas e práticas. Acrescento aqui ao Tópico um quarto processo, o meu. Que é bastante eficaz e prático, mas... também um pouco sujo e mal cheiroso.

Quando viajo, trago quase sempre várias conchas que apanho vivas. Raramente tenho condições e tempo para preparar essas conchas, nos locais por onde ando. O que vou fazendo, é guardar essas conchas em sacos plásticos do tipo (Ziplock). Não é uma boa prática, mas na maioria das vezes não tenho melhores soluções e por mais sacos que se enfie as conchas, o mau cheiro passa sempre... Quando chego a casa e desempacoto as conchas, já elas estão num acentuado estado de decomposição e muito, muito, mal cheirosas...                                                          Como as conchas já não estão vivas, mas ainda mantém parte do tecido e quero rapidamente ver as conchas preparadas, tenho que recorrer a uma outra técnica. A imersão total, em água. Esse processo, faz com que o tecido animal entre mais rapidamente em decomposição e se solte por completo do Canal Sifonal. Não é agradável, mas é rápido e sem risco de danos nas conchas. Primeiro passo para este processo, é usar luvas, máscara e ter um estômago forte...

Como tento sempre aproveitar os Opérculos das conchas, faço uma pré-lavagem em água corrente com cuidado de modo a não perder os mesmo, principalmente se forem muito pequenos. Depois disso arranjo vários recipientes e consoante as conchas que tenha de preparar, coloco as espécies separadamente umas das outras, para evitar que os Opérculos de espécie diferentes, fiquem todos misturados... dependendo da rapidez da decomposição, vou mudando a água das conchas para não ficar podre, até que o tecido animal se consiga remover com facilidade. O processo de retirar o tecido animal, é o mesmo que está descrito*.


Nota: neste processo inevitavelmente os Opérculos, vão se soltando e dependendo da quantidade das conchas na maioria das vezes já não consigo acertar todos nas respectivas conchas a que pertenciam... mas isso, na minha opinião é pouco ou nada relevante dependendo das espécies que se esteja a preparar, uma vez que o Opérculo, fica sempre um pouco fora da junção final. O principal, é estarem colocados nas espécie, a que correspondem. A excepção é para as espécies com Opérculo Córneo, para esses já requer que se tenha cuidado de não os trocar do espécime a que corresponde, uma vez que alguns têm um encaixe próprio (ex. género Neritidae).



Limpeza de conchas apanhadas vivas - Preparação, 2ª Parte

Explicada a parte de remoção do tecido animal, agora vem a parte da remoção das incrustações duras e moles e do Perióstraco...

A remoção das incrustações duras (Calcário, Cracas, e outros organismos duros) nas conchas, pode ser um processo demorado e um pouco complicado, dependendo das espécies (ex. género Murex), a limpar. Incrustações moles (restos do tecido animal, Algas, esponjas, Perióstraco e outros organismos moles), é mais fácil o processo. Vamos começar pela parte mais fácil... incrustações moles.

Remoção das incrustações moles, por processo químico 

Para iniciar este processo, convém utilizar uma roupa mais velha, ou um avental, luvas e óculos. O processo de remoção de organismos moles, é relativamente simples de se fazer. Dependendo das conchas e das incrustações que elas tenham ou não, convém que elas passem por esta limpeza química. Mesmo que as conchas não apresentem visualmente qualquer vestígio de incrustações ou outros organismos, o cloro ou a lixívia, vai agir como um forte bactericida e germicida que vai limpar as conchas totalmente. Principalmente as pequenas partes moles, que ficam ainda no fundo do canal sifonal e que são difíceis de remover manualmente.

Como já está descrito no artigo do Tópico, deve-se ter o máximo cuidado com todas as substâncias ácidas, a serem utilizadas na limpeza das conchas. Principalmente, nas espécies mais frágeis e conchas extremamente lisas e brilhantes (ex. Cypraeas).

Neste processo pode-se utilizar (Cloro em pó), diluído em água, ou simplesmente utilizar a vulgar (Lixívia), sem perfumes ou detergentes, e não muito forte. Eu utilizo a Lixívia, ambos tem o mesmo princípio químico (Hipoclorito de Sódio). O primeiro passo, é arranjar um recipiente de plástico (o cloro ou a lixívia, não reagem com o plástico), suficientemente espaçoso para mergulhar algumas conchas de cada vez ou individualmente.  

Limpeza química com Cloro (Hipoclorito de Sódio NaClO)
Limpeza química com Cloro (Hipoclorito de Sódio NaClO)

  Deite a água até preencher metade do recipiente e de seguida, adicione o Cloro ou a Lixívia, em pequena quantidade. Nunca deite as substâncias ácidas antes da água e nunca directamente sobre as conchas.                                                                                                         Com uma pinça ou com luvas, agarre as conchas, pela abertura e mergulha-as lentamente de maneira a que o líquido penetre em toda a parte interna. Se a concha ficar a boiar, significa que não está totalmente preenchida com o líquido.                                                         Observação da reação química, sobre as conchas. Dependendo da aceleração da "fervura ácida", consegue-se ver se diluição está ou não muito forte. Vá vendo como se está a processar a dissolução dos organismos sobre as conchas e consoante o progresso, adicione mais Cloro/Lixívia para acelerar o processo, ou água para retardar. Não tente, fazer as coisas demasiado depressa...

Nota: O tempo de limpeza, vai depender do tamanho das conchas e da matéria orgânica que tiverem para ser dissolvida pela solução ácida. Quanto mais material orgânico tiverem as conchas, é natural que o processo leve mais tempo... para que o processo de limpeza fique bem feito, pode levar minutos ou horas.                                                                                                                            Nas conchas mais sensíveis, conchas com o Perióstraco e os opérculos das conchas, não os deixe na solução ácida, juntamente com as outras conchas. Mergulhe-os apenas por alguns segundos e passe-os logo de seguida por água corrente. Pode repetir essa operação mais que uma vez, dependendo do resultado que queira. Quando as conchas já estiverem totalmente limpas de todo o material orgânico, pode coloca-las novamente dentro de água (só água), por mais algumas horas, para libertarem qualquer vestígio que possa haver da solução ácida. Restos da solução ácida podem permanecer dentro das conchas e prejudicar a sua preservação, a imersão em água limpa, elimina esses vestígios.                                                                                                                                            

...Perióstraco, é um fino revestimento orgânico "pele" que muitos Gastrópodes e Bivalves têm. Essa "pele" é extremamente rija e aveludada, quando o animal está vivo. Muitos dos coleccionadores actualmente deixam o perióstraco, intacto nas conchas, ou pelo menos em algumas. O perióstraco é facilmente removido pala solução ácida. Uma vez que não queira removê-lo, o único inconveniente é o facto de não se conseguir ver as cores vivas das conchas e com o tempo o perióstraco, tornar-se quebradiço. Em algumas conchas que se tenha a mais da mesma espécie, vale a pena deixar algumas com o perióstraco, por questões científicas...



Limpeza de conchas apanhadas vivas - Preparação, 3ª Parte

Na maioria das vezes com a remoção das incrustações moles por processo químico, também resolve uma boa parte da remoção das incrustações duras. Em muitos dos casos, elas simplesmente se soltam das conchas (calcário, cracas e outros). As outras incrustações que persistem teimosamente agarradas às conchas, são as que temos de remover manualmente, com alguma persistência e paciência...

Remoção das incrustações duras, por processo manual e mecânico