ÍNDIA - Mumbai, Goa e Kerala - 2009

Índia 2009, foi a nossa segunda grande viagem e uma das mais intensas... 

A Índia, é um misto de várias emoções. Emoções essas, que nos percorrem o tempo todo em que lá estamos. Tanto nos transmite um sentimento de felicidade e beleza, como de desespero e raiva...

A beleza no conceito global da vida, é um sentimento muito subjectivo. Algo invisível, que cada um de nós vai construindo e definindo à medida que vamos crescendo como pessoas. Dependendo do nosso estado emocional e das situações envolventes, nem tudo é belo, nem tudo é feio, e a Índia é um misto desses dois sentimentos...

"Nas grandes batalhas da vida, o primeiro passo para a vitória é o desejo de vencer."   Mahatma Gandhi  

Sobre a Índia e preparação da viagem...

Há poucos sítios no mundo que mais nos marque, que a Índia. Lar de mais de 1.300 milhões de almas. 3.287.00 km2 de área geográfica sub-continental. 2 línguas oficias (Híndi/Inglês), 21 outras línguas reconhecidas oficialmente e dezenas de outras línguas e dialectos. 4 grandes religiões e uma imensidão de muitas outras. Berço antigo das mais antigas civilizações e culturas humanas, fazem da Índia um lugar único no Mundo e um dos mais apetecíveis de se visitar...

Duas semanas na terra, onde as vacas são sagradas... 

Em 2009, estava-se no clímax da crise financeira instituída na Europa e mais além. Nós e como muitos outros Portugueses e cidadãos do Mundo, estávamos a viver um período chamado de "Aperto Financeiro", depois de muitos anos de vacas gordas...        Perante o cenário aparentemente "Apocalíptico", resolvemos "irresponsavelmente" deixar tudo para trás e ir duas semanas para o mais longe possível e que o nosso dinheiro permitia. Situação essa que se veio a revelar muito mais responsável e sensata do que guardar esse mesmo dinheiro, num qualquer Banco falido, ou em investimentos desastrosos...           

Das Filipinas, para a Índia...                                                                                                                                                  Depois de já termos estado dois anos antes nas Filipinas, ir até à Índia, não me pareceu ser nenhum "Bicho Papão"... e na verdade não foi, mas dá um frio desgraçado na barriga e algumas dores de cabeça. Por mais informação e preparação que se consiga obter e assimilar, tudo na Índia, pode acontecer ao contrário do que possamos planear... mas, vale a pena.

Alma de Viajante...                                                            Como viajante temporário de um determinado lugar, procuro concentrar-me em algumas zonas pré estabelecidas e explorar esses sítios dentro do tempo que disponho. Muito antes do início das viagens, faço uma preparação mais ou menos meticulosa sobre o país que vou visitar. No caso da Índia, foram alguns meses a preparar a viagem... além do passaporte, com a validade em dia, há que tratar dos vistos, consulta médica do viajante e vacinação. A Índia tem doenças tropicais terríveis, por isso não convém facilitar. Passaporte e vistos, também não...                           

Uma questão de designação...                                                                                                                                                                                                  Pessoalmente, não gosto de me designar de Turista... Gosto antes de me designar, como um Viajante. Um viajante, temporário. Alguém que está temporariamente num determinado lugar no Mundo e que tenta aproveita o melhor desses lugares...  

Viajar na Índia de forma pessoal e independente de Viajante, não é propriamente uma situação lá muito fácil... Infelizmente a maioria dos indianos, vêm-nos como um alvo muito apetecível para massacrar constantemente com as suas manhas e truques na arte de sacar o mais dinheiro possível em tudo o que nos fazem, ou vendem... em algumas situações, chega a ser bastante enervante. É desagradável o facto de acharem que todos os Ocidentais que visitam o seu país, são todos ricos e como tal se estão ali, podem ser completamente depenados... compreendo a pobreza, não compreendo a indiferença.                                                  

Diz-se à cerca da Índia, que só ao fim de algum tempo de se lá estar, se começa a ganhar alguma imunidade emocional... não posso deixar de pensar e concordar em parte com essa teoria, porque realmente leva algum tempo a nos adaptarmos à hegemonia social e compreender parte da sociedade complexa, que é a Índia. Naquela parte do Globo Terrestre, ainda impera a estratificação social milenar. A pobreza (mais de 800 milhões) é a corrosão que corroí o corpo e a alma, que transforma os Homens em bestas humanas e nos leva a questionar a nossa própria existência e na forma como vemos o Mundo e os outros... 

Turismo na Índia, segundo a minha opinião...                                                                                                                                Uma boa parte do Turismo na Índia, é feito por duas categorias principais e uma sub-categoria, de Turistas... Mochileiros e Magnatas, fazem parte das duas categorias principais. Eu, sou a sub-categoria...                     

Mochileiros; pobres coitados, geralmente gente nova, com espírito e sede de aventura. Essa espécie de homo sapiens sapiens, aparentemente exótica, têm quase todo o tempo do mundo para viajar... Em regra, são completamente indiferentes às bostas de vaca espalhadas pelo chão, como minas prontas a explodir nos pés. As moscas e tudo que cheira mal, também não é problema para eles... Assim como também têm a péssima ideia de desfrutarem de tudo e com todo o prazer, como quem vive o melhor sonho da vida... coitados!        

"Magnatas"; velhos e novos, ricos. Estes fazem parte de uma outra espécie, ainda por definir...                                                                                        Geralmente deambulam pelo Olimpo dos Deuses, como quem quer deixar uma marca invisível em lugar nenhum... são em regra, sofisticados e adoram selfies. Essa bela espécie é praticamente incapaz de decidir o que fazer, fora do seu meio natural. Por esse motivo, recorrem regularmente à compra de pacotes turísticos, mais ou menos personalizados, caríssimos e quase sempre muito limitados no tempo e na interação social, mas cheios de "l`amore". Nessas sumptuosas condições visitar a Índia, é geralmente o máximo dos máximos do pináculo do prazer exótico. Quem é que não gosta, ou gostaria, de poder ficar instalado, em lindos Palácios Dourados e viver as "Mil e uma Noites"...? Para esses "afortunados", a Índia, é só prazer. Da sociedade indiana, levam apenas sorrisos e cheiro de incenso. O mau cheiro e os pobres, ficam quase sempre longe dos seus percursos idílicos...

Sub-categoria; espécie marreca sem penas, com fortes tendência à sobrevivência da existência de ser alguém... nós, fomos nas duas vezes em que lá estivemos, a tal sub-espécie rara de "homo sapiens sapiens occidentalis", na Índia. O tal Viajante, que sofre e sofre, nas mãos, daqueles "demónios"... e que gosta de sofrer, por estupidez ou masoquismo espiritual... Ou talvez pelo simples facto de querer amar o que dificilmente se ama, mas que se quer muito, amar... A Índia, é como um íman. Primeiro, impele-nos e depois atrai-nos...                              

Observações:                                                                                                      Positivo; a partir de Portugal, é possível conseguir-se um excelente preço para as passagens de avião, (Mumbai ou Nova Delhi) dependendo da antecedência em comprar as passagens on-line...                                            Negativo; o visto é obrigatório para cidadãos de Portugal e é caro. O que poupa nas passagens, gasta nos vistos...

Nota: aos acônitos (Aconitum napellus) e mal amados, que muito provavelmente vão excomungar o meu site e a minha "Persona".                        Odeio a hipocrisia. Não consigo ver luz onde reina a escuridão, nem ofuscar o sol, só pelo prazer de ver o caos apocalíptico em todo o que brilha... a verdade, é a verdade e vale o que vale... adoro a Índia, um dia vou lá novamente, mas vi e senti muita coisa que não gostei...

Sobre Goa; antiga colónia e jóia da coroa do Império de Portugal, a "Roma do Oriente", conquistou a independência em 1961. Da exuberância arquitectónica do passado, ficaram as famosas Igrejas e Conventos (Património da Humanidade da UNESCO). Ao longo da costa, os Fortes que outrora defenderam a terra das investidas inimigas vindas do mar, jazem agora de costas voltadas para o mar e quase engolidos pela fúria verde da vegetação. Algumas ruas em Panjim e noutras localidades, ainda guardam alguns nomes da memória Portuguesa, em placas enegrecidas pela fuligem do tempo e presas nas esquinas das velhinhas casas de estilo colonial Português, que numa aparente e desesperante agonia de abandono, fingem ainda viver. E, mais umas quantas coisas, que teimosamente persistem e resistem ao torturante esquecimento... Na verdade, quando lá estivemos em 2009, Goa pareceu-me mais um fantasma agarrado ao passado, do que um dos estados mais ricos da Índia...                                                                                                                      

Caminhar sobre as ruas enegrecidas e pegajosas de Panjim, foi de certa forma um pouco decepcionante e nostálgico. Como se entrássemos num carrossel temporal, cujo o tempo apaga lentamente a memória do passado. Carrossel repleto de emoções, mas meio avariado e ferrugento...

Por questões culturais e familiares, Goa foi a nossa primeira opção na escolha da viagem à Índia. Opção essa, que apesar de todas as superficiais inconveniências, só não foi melhor devido à chuva persistente, que juntamente com a elevada e sufocante humidade do ar, deixava-nos a pele pegajosa como goma. Por mais banhos que se tome, a goma na pele, volta rapidamente...  

Quase em desespero e na perspectiva paranóica de começarmos a ganhar musgo debaixo das unhas e em todos os poros do corpo, saímos de Goa e seguimos para Kerala... 

GALERIA DE FOTOS - Estado de Goa, Índia 2009

Sobre Kerala; chegar a Cochim, no estado de Kerala, foi uma aventura inesperada... por mais planos que se façam na Índia, há quase sempre alguma coisa que não vai funcionar como desejamos, porque na Índia as coisas valem o que valem e não adianta reclamar...

Mesmo sendo mais caro, compramos as passagens de avião directas de Goa para Cochim e inesperadamente estamos a fazer duas escalas imprevistas. Uma em Chennai, no estado de Tamil Nadu, que fica na costa leste do Golfo de Bengala e mais uma outra escala no fim do mundo, num outro sítio que nem faço ideia... dessa inesperada viagem, fica o facto de poder dizer que já cruzei quase toda a Índia de avião.

Horas depois da partida de Goa, finalmente estávamos no Aeroporto Internacional de Cochim...

Cochim ou Kochi, foi mais um dos baluartes da expansão colonial Portuguesa, na Índia e no Mundo. Nessa pequena parte do Mundo, morreu e foi sepultado o nosso interno e famoso navegador Português Vasco da Gama, que posteriormente foi trasladado para Portugal. Na parte mais antiga de Cochim, ao longo da zona portuária, vale a pena visitar alguma da história representativa Portuguesa (Igreja de São Francisco, onde foi sepultado Vasco da Gama, o Forte de Cochim e o Museu Indo-Português). 

Outras atracções a visitar em Cochim, que recomendo vivamente; Redes de Pesca Chinesa (pessoalmente, foi das coisas que mais gostei de ver em Cochim...). Passear a pé pelos bairros antigos de estilo colonial, à sombra das imponentes árvores tropicais. Visitar os velhinhos armazéns de especiarias e algumas das lojas mais antigas. Outra das grandes atracções nesse local, é o prazer de se poder degustar uns belos camarões ou peixe, tudo fresco e grelhado na hora. O peixe e o marisco, compra-se directamente aos pescadores, no largo da fortaleza. Parte dessas iguarias do mar, são apanhadas nas redes de pesca chinesa, que ficam mesmo em frente ao forte. O que escolhemos é pesado, pago e de seguida vai directamente para o grelhador. Uma das melhores maravilhas, de Cochim... 

Ainda no distrito de Ernakulam, na marginal de Thevara, recomendo fazer um passeio de barco no Vembanad Lake. Ao longo da marginal de Thevara, encontram-se várias empresas de turismo local que fazem passeios marítimos pelo lago, em barcos panorâmicos e de pequenas dimensões. Os passeios levam cerca de duas horas e o preço é bastante baixo...  

Vembanad Lake - Kumarakom; Na Índia, a geografia é quase sempre representada numa escala de grandes proporções épicas e o lago de Vembanad, não é excepção a essa regra. O lago não é só o mais longo da Índia, como na sua parte mais larga, não se consegue ver a margem oposta. Na travessia que fizemos no transporte marítimo local, de Kumarakom vs. Muhamma, fiquei inicialmente com a ideia que navegava sobre uma baía marítima e não sobre um lago de água doce...

Parte da nossa viagem à Índia, incluiu passar alguns dias junto às margens do lago Vembanad, entre a zona húmida e a Península de Alappuzha, que fica encravada entre o lago Vembanad e o Mar Arábico. Essa nossa escolha, foi sem dúvida uma agradável opção...      

Geograficamente, Kumarakom e Alappuzha, fazem parte de um vasto ecossistema de zona húmida, que se estende por vários quilômetros de canais navegáveis, lagos e floresta de mangues. Ao longo das margens dos lagos e canais secundários nas zonas mais elevadas e ricas em sedimentos depositados pelas cheias sazonais, crescem os arrozais num perfeito verde vegetal. Entre essa imensa profusão liquida e vegetal, vive uma vasta comunidade de gente adaptável às circunstâncias do tempo e da sorte da natureza. Não são raras as vezes, que toda aquela zona fica completamente alagada na época das monções... 

Dos passeios que fizemos entre Kumarakom e Alappuzha, guardo na memória agradáveis lembranças desse ponto geográfico do Globo, que recomendo vivamente a ser visitado. Principalmente, depois da época das monções quando o dilúvio das águas se acalma e a paz reina novamente sobre a terra, os lagos e canais ficam mais repletos de vida e de cor. Como num frenesim coreografado, dá-se então o milagre supremo da clorofila e é nessa altura do ano que o verde sublime da vegetação, fica ainda mais verde...

Última etapa da minha viagem, à Índia... Megacidade de Mumbai!

Grande Mumbai ou Bombaim, a megacidade com mais de 12 milhões de pessoas e capital do Estado de Maharashtra, é a 4ª região metropolitana, mais populosa do Mundo...

Mumbai, tem um excelente e moderno Aeroporto Internacional - Chhatrapati Shivaji, provavelmente o melhor da Índia. Nas duas vezes que lá estive com tempo, achei-o muito superior ao Aeroporto Internacional de Nova Delhi - Indira Gandhi.

Três dias em Mumbai, não é muito tempo para se poder ver tudo com calma. Mumbai, é muito, muito grande... os poucos dias que lá estivemos, optamos por ficar na área urbana da península de Colaba, perto da Porta da Índia. Essa zona, é a mais interessante e popular para se poder ficar hospedado, ainda que seja a zona mais cara de Mumbai.

Junto à Porta da Índia, é fácil apanhar um barco e ir à Ilha de Elefanta, Património da Humanidade. A travessia de barco é bastante agradável e barata. Quem tiver tempo, vale a pena lá passar o dia inteiro. Pode-se ir num barco e voltar num outro qualquer, ao fim do dia... a viagem de ida e volta à ilha, contempla essa opção de vir num outro barco (ver horário de voltar a Mumbai). Perto do Hotel Taj Mahal & Tower, encontram-se bons cafés e restaurantes, incluindo o famoso Leopold Cafe. Numa rua relativamente perto do Leopold, há um bom mercado de rua, Colaba Causeway Market. Para quem já esteja de regresso a casa, vale a pena fazer umas últimas compras, nesse mercado...



GALERIA DE FOTOS - Porta da Índia vs. Ilha de Elefanta, Mumbai.

"Eles não sabem, nem sonham,                                                                      que o sonho comanda a vida,                                                                        que sempre que um homem sonha                                                                    o mundo pula e avança                                                                                como bola colorida                                                                                        entre as mãos de uma criança"

Pedra Filosofalpublicado no livro Movimento Perpétuo, em 1956       António Gedeão, 1906/1999

Parte de um dos mais belos Poemas Portugueses, escrito por António Gedeão e cantado magistralmente por Manuel Freire, em 1970. Musica que se tornou num hino e bandeira da resistência, à ditadura Portuguesa...

Tal como escreveu o Poeta, "O sonho comanda a vida"...                                                                                                                                  Cresci com a ideia, que se sonha-se muito com uma coisa que queria muito, ela mais tarde se podia realizar, quer por desejo espontâneo ou magia... infelizmente, a realidade é bem diferente. Materializar os nossos sonhos numa realidade física, na maioria das vezes, dá muito trabalho a realizar. Mas, vale a pena tentar.                                                                                                        Quando os sonhos e e imaginação ganham asas, tudo o que desejamos é voar, voar para o mais longe que seja possível. As minhas asas, foram os meus sonhos e o desejo de voar...

A primeira viagem que fiz à Índia, foi uma das viagens que mais me marcou. Quer pela singularidade do país, quer pelo contexto global do ano em que lá fui...                                                                                                                                                                              Espero que de alguma forma o meu Post de viagens, em particular sobre a minha viagem à Índia, contribua para que os sonhos de alguém em qualquer parte do Mundo, se transforme num belo e grande voo...                                                                                                                                                                                                                                                                                                      J.P Oliveira



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